"(...) não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver"

Eu, fichada

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filha de dois pais: um fugitivo, o outro desaparecido. Fala alto e ri alto, é curiosa, acredita mais nas causas do que nas pessoas, soluça e lava a alma quando chora, deseja saber muitas palavras, ainda sobe em árvores tortas do Planalto Central, usa reticências redundantes, tenta disfarçar a grosseria, sai pela tangente, vive entre tapas e beijos.

cambada

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eu tenho um plano

Vamos construir um viçoso jardim:
gérberas, orquídeas, lírios, jasmim, ipês
quintal multicolorido espargindo perfumes.
Alegria dos meus olhos, vigor e beleza:
tudo igual a você.

Vamos fazer planos à tardinha?
Você diz vem, meu coração, dar uma volta
e eu respondo te apertando e soluçando
que a felicidade nunca mais será perigosa.

Esperaremos o firmamento entenebrecer
preguiçoso e bem suave, 
engolindo brisas gentis, bêbados

Depois voltaremos para casa, trôpegos
você jogando seu olhar em cima de mim 
um desejo que a despeito de todos os erros

nos manterá na certeza, sempre renovada
de que não podemos nos esquecer por aí.

pois somos importantes, o amor nos enfeita.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Bem do jeito que eu gosto


Por causa da minha inclinação natural de me jogar em profundezas insondáveis é que foi muito perigoso conhecê-lo. Em loucura me achei, ao decidir que a imensidão do abismo em sua boca cheia de fogo e mar seria o lugar para conter a força inexplicável do sentimento que irrompeu em mim. Apaixonada, estou irremediavelmente apaixonada, me deixei queimar sem medo de ser consumida, pois concordamos que nosso presente é feito um daqueles sonhos em que voamos ou corremos muito rápido, aqueles que parecem não ter fim, pois ali permanecemos e desejamos nunca conhecer jeito de sair do que são segundos que duram e valem a vida inteira. O que não vale é ficar acordado pro mundo das outras coisas, foi que concordamos. Desse jeito não acaba o nosso romance clandestino que gostamos de anunciar.

Assim, sabendo que aqui em mim ele não termina e que nele eu estou sempre começando, fazemos com que até suspeita de dor vire amor. Mas fica só entre nós, que a gente não precisa dizer. A mim bastam as palavras daquele rosto, que eu leio e interpreto através do toque e que reafirmam as certezas que, longe ou perto, nos mantém ligados. Por não dizer é que eu espero que um dia ele não só tolere, mas tente entender o meu apego à mania de por tudo à prova - até aquilo em que acredito - e que saiba que não é falta de fé, nem medo, nem desculpa, mas que é um jeito que a vida arranjou pra me acalmar a alma, quando, declarando com firmeza os meus motivos, me resta a certeza de que felicidade é, sim, inevitável, como um vício.

Inevitável como onda, brisa, nuvem, coisa viva.

E não pensem que é exagero essa minha teima de ficar falando dele o tempo todo, ele realmente provoca meu ânimo e certamente minha linguagem participa de minhas emoções, que têm sido muitas, falo mesmo porque ele é uma inspiração entusiasmada ao meu pensamento, e também por que eu agora prefiro pensar nas pontes que me permitem caminhar na imensidão a imaginar pranchas tortas para saltos cegos, profundezas insondáveis, que no fim, sempre me deixam com um coração cansado e triste, falo porque ele está sempre de mãos dadas às coisas mais lindas que desejo.


Se já me atirei em abismos, se contei com a sorte, hoje prefiro o céu dos olhos coloridos dele, onde passam uns sonhos que me arrebatam e uns perfumes de sortilégios, onde a autoridade suprema é o desejo de embaralhar nossas pernas, e onde, num lance de vista, fico invisível para o tempo e o atravesso o limite das sensações.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Bilhetes

- eu queria que você pudesse me ver hoje, por que estou exatamente da cor que você me pintou, aquela que é nossa, do céu.

- a tarde inteira foi você caminhando solto, despreocupado, dentro de mim.

- eu sei que Deus está perto de mim.

- eu sei que estou perto de Deus.

- “cada viagem que faço é um calor, cada minuto de céu é pra ter um gosto melado do seu suor, salgado pedaço de um amanhecer”

sábado, 20 de março de 2010

Casa aberta

Eu hoje sou uma pequena estrela errante que se entediou numa noite de março. Tiro a culpa, dou lugar à satisfação, ouço o som do meu ventilador servindo de música para a dança vulgar das cortinas e sinto, então, um prazer penoso confortando-me dos pensamentos. Não procuro explicação, eu só digo, sinto, divido e flutuo na quietude do limite que determinei. Não aprendi a explicar os sentimentos, não sei descrever, sou deficiente nisso, só sei que é de felicidade que estou falando.