"(...) não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver"

Eu, fichada

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filha de dois pais: um fugitivo, o outro desaparecido. Fala alto e ri alto, é curiosa, acredita mais nas causas do que nas pessoas, soluça e lava a alma quando chora, deseja saber muitas palavras, ainda sobe em árvores tortas do Planalto Central, usa reticências redundantes, tenta disfarçar a grosseria, sai pela tangente, vive entre tapas e beijos.

cambada

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Bem do jeito que eu gosto


Por causa da minha inclinação natural de me jogar em profundezas insondáveis é que foi muito perigoso conhecê-lo. Em loucura me achei, ao decidir que a imensidão do abismo em sua boca cheia de fogo e mar seria o lugar para conter a força inexplicável do sentimento que irrompeu em mim. Apaixonada, estou irremediavelmente apaixonada, me deixei queimar sem medo de ser consumida, pois concordamos que nosso presente é feito um daqueles sonhos em que voamos ou corremos muito rápido, aqueles que parecem não ter fim, pois ali permanecemos e desejamos nunca conhecer jeito de sair do que são segundos que duram e valem a vida inteira. O que não vale é ficar acordado pro mundo das outras coisas, foi que concordamos. Desse jeito não acaba o nosso romance clandestino que gostamos de anunciar.

Assim, sabendo que aqui em mim ele não termina e que nele eu estou sempre começando, fazemos com que até suspeita de dor vire amor. Mas fica só entre nós, que a gente não precisa dizer. A mim bastam as palavras daquele rosto, que eu leio e interpreto através do toque e que reafirmam as certezas que, longe ou perto, nos mantém ligados. Por não dizer é que eu espero que um dia ele não só tolere, mas tente entender o meu apego à mania de por tudo à prova - até aquilo em que acredito - e que saiba que não é falta de fé, nem medo, nem desculpa, mas que é um jeito que a vida arranjou pra me acalmar a alma, quando, declarando com firmeza os meus motivos, me resta a certeza de que felicidade é, sim, inevitável, como um vício.

Inevitável como onda, brisa, nuvem, coisa viva.

E não pensem que é exagero essa minha teima de ficar falando dele o tempo todo, ele realmente provoca meu ânimo e certamente minha linguagem participa de minhas emoções, que têm sido muitas, falo mesmo porque ele é uma inspiração entusiasmada ao meu pensamento, e também por que eu agora prefiro pensar nas pontes que me permitem caminhar na imensidão a imaginar pranchas tortas para saltos cegos, profundezas insondáveis, que no fim, sempre me deixam com um coração cansado e triste, falo porque ele está sempre de mãos dadas às coisas mais lindas que desejo.


Se já me atirei em abismos, se contei com a sorte, hoje prefiro o céu dos olhos coloridos dele, onde passam uns sonhos que me arrebatam e uns perfumes de sortilégios, onde a autoridade suprema é o desejo de embaralhar nossas pernas, e onde, num lance de vista, fico invisível para o tempo e o atravesso o limite das sensações.


4 comentários:

Amanda Bia disse...

gostoso se sentir assim, né. parece que o resto do mundo deixa de existir.
beijo.

Caroline disse...

Muito bonito seu texto. Parabéns, o amor é mesmo lindo.

Vanessa disse...

Fe do céu, nem sei o quê dizer...Quando penso que um post foi melhor que o anterior, você vem com outro e com outro...Esse foi perfeito.

Beijos!

Ray disse...

Olha pra mim e responde: vc acha que ficou ruim?
_ Não!

_ Vc sabe que ficou lindo, cara...

(Pala de uma sexta-feira qualquer)

Loucuras à parte; está lindo e tu sabes disso.